ESTAMOS PREPARANDO NOSSOS FILHOS PARA O FUTURO ?

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Saí de férias, viajei com minha família, aproveitei para fazer algumas leituras, e de repente me dei conta que, talvez, justamente por estar fazendo tudo como sempre foi feito, eu possa estar fazendo tudo errado justamente com a minha filha.

Sou mãe de uma menina, 8 anos, trabalho fora desde cedo, e vivo inserida no que há de mais “inconstante” do mercado de trabalho. O mercado digital. Já vi profissões começarem e deixarem de existir em períodos de dois anos, vejo verdades virarem mentiras do dia para a noite, vejo jovens ditando tendências e Mestres reavaliando teorias.

E de repente me veio a pergunta: – Estou preparando minha filha para esse futuro, ela está estudando o que vai fazer diferença lá na frente?

Mesmo que no trabalho estejamos  sendo sempre desafiados a mudar a forma, a sermos mais eficientes, a olhar por um outro prisma, para outros assuntos das nossas vidas, é como que se essas mudanças não estivessem acontecendo, só que elas estão.

Vamos fazer um exercício aqui.

Giz, quadro… ok, trocaram o giz por canetas (em alguns casos), mas ainda quadros. Livros, cadernos, Cds (sim, cursos de inglês ainda usam Cds), para uma geração que está conectada por celular.

 Agora saindo do obvio, que seria computadores nas salas de aula, vamos para os conteúdos. Se a tecnologia é o novo drive de tudo, como estamos preparando de maneira eficiente nossos futuros, doutores, cientistas, professores, arquitetos, engenheiros, sem falar das inúmeras novas profissões que ainda nem sabemos os nomes.

Ampliando um pouco mais, olho para a questão do formato. A educação tradicional vai de encontro ao que já temos atualmente nos locais de trabalho “mais descolados”. Essa educação centrada no top-down, direcionada, igual para todos e sem espaço algum para inovação, já mostra que tem algo muito errado entre o que se espera no futuro e o que estamos oferecendo aos nossos filhos. Eles serão cobrados por competências, pelas quais não estão sendo estimulados, e essa é uma responsabilidade nossa. 

De alguma forma precisamos engajar nossos jovens, dar possibilidades para que eles possam ter opinião, sintam-se ouvidos e que sejam desafiados a trazer novas idéias. O modelo de mão única da nossa educação é contrário a essa demanda de uma economia que muda cada vez mais rápido, e que precisa de jovens adaptados a virar o remo de forma segura e sem traumas. 

Transformar os alunos em clientes reais nas escolas e fora dela, é um passo interessante para o início dessa mudança. Fazer com que eles sejam ouvidos e que possam opinar sobre os serviços é algo que já deveria estar acontecendo.

Já falamos do meio, da forma e também gostaria de passar por outro ponto não menos importante que é o conteúdo. Se hoje já temos a certeza de que o mundo caminha na direção do Big Data,  Inteligência Artificial, Genômica, Cibernética, Robótica, podemos concluir que nossos conteúdos, definitivamente não estão acompanhando essa linguagem. Codificação é presente! Menos para eles…

Pense também no seu discurso nada atual e que pode estar indo de encontro com a expectativa do mercado:

– Ao se formar, você será um profissional pronto e de sucesso!

Nos dias de hoje, você aprende todos os dias, e a atualização constante deve fazer parte do mind set desse jovem. Prepare seu filho para adaptar-se constantemente às mudanças, e isso o deixará preparado para os desafios do futuro.

Profissões de colarinho branco deixarão de existir, acredite! Estudos mostram que até 40% dos postos de trabalho na Austrália podem desaparecer nos próximos 10 ou 15 anos, e que robôs e computadores continuarão crescendo de forma irreversível.

Hugh Durrant-Whyte, diretor do Centro de Translational Data Science at Sydney University disse que a tecnologia estava assumindo profissões de classe média, e que com isso, essa classe ascenderia a posições mais altas, tais como direito, contabilidade.

“Sempre pensamos que a automação iria mover todos para cima” ‘disse ele”

“A grande diferença agora, é a que com a aprendizagem da máquina através da inteligência artificial, estamos vendo cargos e postos de trabalho altamente qualificados, sendo substituídos por máquinas.”

Pensando um pouco em como de alguma forma gerar mais valor para minha filha nesse momento de transição entre modelos antigos e demandas próximas, penso em como trazer mais valor para ela, oferecendo um pouco mais de habilidade em “criar e colaborar”, buscando desenvolver habilidades técnicas e sociais,  estimulando-a a resolver problemas da vida real, trazendo soluções e ensinando-a a defender seus pontos,  além de buscar alguma forma de alfabetizá-la digitalmente.

O como ainda não sei, até porque antes disso tudo ela precisa ser criança e ser feliz, mas o fato é que é minha responsabilidade pensar nisso por ela, e ajudá-la para uma época diferente da nossa, das dos nossos pais e avós.

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